sexta-feira, 30 de maio de 2014

Procuram-se

Érika Pelegrino

Procuram-se arquitetos especializados em massinha;
Historiadores de faz de conta;
Veterinários de bichos de pelúcia;
Internacionalistas de war
Economistas de banco imobiliário;
Pintores de cola colorida;
Advogados de apertar bochechas;
Caçadores de sorrisos;
Professores de bolinha de sabão;
Bailarinas de fantoche e médicos de remédio doce...

Procuram-se acima de tudo pessoas com disposição de visitar crianças, e não crianças doentes, de olhar para o nome e para o singular de cada uma delas e não para o que as prende em um hospital, procura-se disposição para doar e multiplicar amor, mesmo que por algumas horas e em algumas visitas... Procuramos o melhor de cada um, que pode ser cultivado, mostrado e usado para resgatar o que há de mais belo em cada momento infantil que não pode ser escondido por catéteres e remédios... Será que eu achei a pessoa certa? Será que podemos sonhar juntos?

terça-feira, 29 de abril de 2014

Super-Heróis

Vídeo feito pela nossa sonhadora Bianca Mól especialmente para o Sonhando Juntos:


Para saber mais sobre o trabalho da Bianca Mól, acesse:
www.garotadesdobravel.com
www.facebook.com/garotadesdobravel

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Intrépidos sonhadores




Denise Lira

Fiquei pensando, por vários dias, sobre qual foto escolher, o que escrever e o que dizer para os amigos que acompanham o Blog do Sonhando Juntos. 

Então, tive um insight depois da atividade que participamos em 05/04/2014 no HUPE. Lá brincamos e nos divertimos bastante como sempre, mas uma foto em especial me fez relembrar várias coisas. Fizemos um selfie com os sonhadores daquele dia, e no domingo à noite, Gustavo me encaminhou a foto, que postei no meu Facebook, com a descrição “Apresento para vocês, amigos, nós: ‘Os intrépidos Sonhadores’. Os voluntários mais felizes do planeta!!”. 

Foi uma descrição que fluiu de primeira, que me fez lembrar de outros voluntariados que já fiz. Lembrei da primeira vez que participei da festa de Natal do Sonhar Acordado, que foi simplesmente maravilhosa! E do primeiro dia no Sonhando Juntos, que eu não tinha noção do que iria falar para os pequenininhos, do que iríamos brincar, do que iria acontecer... enfim, não precisei fazer nada, porque os pequenininhos nos conduziram para a brincadeira, e assim a gente foi indo e a energia fluiu perfeitamente. 

No entanto, o que faz essa energia maravilhosa fluir, de verdade e sem barreiras, é a alegria de todos: dos voluntários, das crianças que ficam ansiosas para brincar e do encontro que é, inevitavelmente, mágico. A alegria que brilha em seus rostinhos é tão verdadeira e sublime que ilumina a alma de qualquer voluntário, e a experiência, essa sim: “NÃO TEM PREÇO”. 

Tenho orgulho demais de fazer parte desta equipe maravilhosa de “Intrépidos sonhadores”, corajosos e obstinados, sempre felizes, sempre verdadeiros. E compartilhar aquilo que é mais verdadeiro: felicidade, alegria, esperança.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Encontro de Sonhadores


Carol Salzmann

"Tenho em mim todos os sonhos do mundo", já havia escrito Fernando Pessoa. Mas ouso discordar deste grande poeta português: do que adianta colecionar os sonhos do mundo se não ajudarmos a torná-los realidade? Como uma exímia sonhadora fui à procura de sonhadores como eu; sabia que os encontraria em algum lugar. E quando os encontrei, descobri que nossos sonhos pessoais acabam em segundo plano. O mais interessante de tudo isso? Ficamos imensamente felizes quando acontece. A sensação de transformar o sonho do outro em realidade é de uma satisfação que vai além daquela pessoal.

É sonhando junto com esse grupo a cada manhã ou tarde de fins de semana ensolarados que vou realizando os meus sonhos também. E aprendendo que muitos deles acabam se tornando mais reais, mais simples, palpáveis: seja por um sorriso que arrancamos, seja por um choro que cessamos ou por um abraço que ganhamos. Amor, carinho, confiança. Sonhos imateriais, que o dinheiro não compra, mas que é muito, mas muito mais valioso.

A satisfação pessoal quando realizamos o que queremos é grande sim, não devemos nunca desistir de ir atrás daquilo que nos alimenta a vida, mas a realização em fazer parte de uma equipe que sonha junto o sonho de muitas crianças e que trabalha incansavelmente para torná-los real é inexplicável. Porque vai além do que só sonhar depois que os olhinhos se fecham. É sonhar acordado. É sonhar junto. E é sonhando juntos que sonhamos mais.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Com o coração nas mãos..




 
Ricardo Villa Verde

Era como eu estava ao entrar, na minha primeira visita, na ala de pediatria do Hemorio. Andava por um corredor colorido, cheio de desenhos, a espera de, a qualquer momento, encontrar com um anjinho precisando de ajuda. Foi o que aconteceu. A caminho da sala para fazermos a higienização das mãos, olhei de relance para a direita e vi as crianças que já nos esperavam para as brincadeiras. Eu vestia o nosso jaleco do Sonhar, a roupa que nos encoraja a sermos os transmissores de alegria, mas no fundo eu realmente estava com receio de não ter controle emocional para lidar com a situação.

Bola pra frente.  Assim como numa missão, já uniformizados, abrimos o armário e nos munimos com o nosso arsenal de brinquedos. Já era possível pensar em algumas brincadeiras enquanto escolhíamos os brinquedos que seriam levados para a sala de recreação. Não imaginava que ia encontrar tantos jogos do meu tempo de criança. De imediato lembrei da minha infância. Assim como o cheiro, é engraçado como alguns objetos conseguem nos transportar de volta ao passado ao ponto de conseguirmos, mesmo que por alguns instantes, vivenciar aquela época. Eu me sentia uma criança novamente, com todos os meus brinquedos favoritos ao meu redor, só que agora imaginando como seria se tivesse que, simultaneamente, lutar pela vida. Depois de alguns segundos com o olhar distante, um piscar de olhos me trouxe de volta a realidade e com ela veio a força que eu precisava para não esmorecer.

Entramos na sala de recreação, limpamos rapidamente o café com leite derramado que ocupava uma das mesas. Mais crianças iam chegando e os voluntários se separaram para que todas elas pudessem ganhar um novo amigo. Não houve nenhum comando, mas o instinto de ajuda direcionava os voluntários. Logo todas as crianças estavam entretidas com alguma coisa: lego, desenhos, bonecos, Uno, massinha, bola de sabão. Era uma verdadeira festa.

Aos poucos eu ia conhecendo um pouco de cada criancinha dali. Bati um papo com o Carlos Henrique enquanto ele coloria o desenho de “A Bela e a Fera” e eu o do Shrek. Logo percebi que, pela rotina dele no Hemorio, o assunto sempre voltava para os intervalos de horas dos medicamentos, escala das enfermeiras e até, para minha surpresa, possíveis causas dos sintomas apresentados pelo coleguinha, ainda de fralda, que estava sentado ao lado com a mãe.

De todas as crianças que estavam ali, só duas estavam indispostas para as brincadeiras. Percebi que, por serem crianças, elas persistem brincando até onde conseguem, até a mão doer de tanto colorir. Mas ao invés de desistir, elas param um pouquinho, descansam e voltam com todo o empenho. 

Foram várias as lições que aprendi em tão pouco tempo. Me dei conta de que não temos como prever os acontecimentos em nossas vidas, pois podemos ser surpreendidos de uma hora para outra. E que cada dia que passa é uma oportunidade que temos para fazer a diferença. E definitivamente tenho a certeza de que serei sempre um voluntário, pois, caso um dia eu precise de ajuda, eu iria adorar ter alguém do meu lado me fazendo sorrir! Obrigado, Sonhar!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Quando pequenos heróis te ensinam o valor do presente





Fernanda Caldas

Nós, adultos, costumamos torcer pelo fim do expediente, pela chegada do fim de semana, pela chegada do verão... Passamos a vida planejando o amanhã, o futuro, deixando de lado o presente. Quanto tempo a gente perde na vida, planejando?

Conversando com esses pequenos (só de tamanho) heróis, que têm parte de sua infância privada pela doença e pelo sofrimento físico do pesado tratamento, percebemos que vemos a passagem de tempo de forma oposta.

Eles vêem o futuro como a volta para casa, escola e vida normal. O futuro almejado pela pequena Thalita, de 7 anos, é ser recebida em casa com um bolo de chocolate que sua tia prometeu fazer no dia de sua alta; é voltar à escola e a sambar com seus irmãos e primos. Analisando esse futuro idealizado por ela, conclui-se que o que ela mais deseja é ter sua rotina de volta. E rotina não é dia-a-dia, cotidiano? E cotidiano não é presente?

Por que nós, adultos, insistimos em enxergar o futuro como o que há de mais valioso, desprezando o hoje? Passamos a vida inteira buscando a felicidade, sem perceber que ela é justamente essa busca.

Por uma vida onde nós, adultos, continuemos a aprender com as crianças - e sua sabedoria e simplicidade; e onde os infinitos planos e o desperdício de tempo sejam substituídos por ação, atitude.

O presente é uma dádiva, não é à toa que se chama “presente”.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

O bigode azul

Erick Faustino

Às vezes, quase sempre, na verdade, as coisas se tornam pesadas demais. Julgamos não sermos capazes de suportar tantas responsabilidades, compromissos, obrigações ou seja lá o que for. Acabamos por perder nossa capacidade de seguir em frente, de acreditar que o amanhã pode, e vai, ser melhor. Pouco a pouco ficamos doentes e necessitamos, urgentemente, sermos curados.

Para esse mal existe o bigode azul. O bigode azul é capaz de, em poucos instantes, transformar o seu coração, transformar sua vida. O bigode azul carrega em si a capacidade de levar paz ao teu coração, de fazer você esquecer todos os problemas e dificuldades. O bigode azul tem a incrível capacidade de fazer você admirar a vida em sua forma mais simples e plena, que são o sorriso sincero e a felicidade.

Seja qual for o seu problema, a sua dificuldade, não se importe com quem esta ao seu lado ou com o que vão pensar de você, experimente, ao menos uma vez em sua vida, usar um bigode azul.

O bigode azul te cura de qualquer doença. O bigode azul te livra de todo mal.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

A gente também não quer dar tchau

Bianca Mól

Engraçado como a vida e sua eterna pressa nos fazem esquecer as coisas mais simples que, numa contradição absurda, são as que realmente importam. 

A verdade é que gente grande complica demais o que é fácil, puro e – por que não dizer? – óbvio. Criança quer rir, quer brincar, quer ser feliz. Já o adulto, coitado!, inventa milhões de pretensões, buscas implacáveis e intermináveis pelo sucesso profissional, pessoal, emocional, financeiro e, não, a lista não termina por aqui. É pressão que envolve expectativa demais, ambição demais, pressa demais. Eu pergunto: e a tal da felicidade, afinal, fica onde? Taí, já complicou.

Mas vou te contar um segredo: descomplicar é fácil. Requer apenas que você reserve alguns sábados ou domingos de manhã, e que tenha bastante – eu disse bastante! – disposição e vontade para brincar com crianças que não são menos crianças por estarem em um ambiente de hospital.

A brinquedoteca do Hemorio é o lugar em que você descobre o potencial de um nariz de palhaço, algumas bolhas de sabão, um “Pula-Macaco”, um baralho de UNO e uma caixa de lápis de cor. É o lugar em que você resgata toda a pureza e simplicidade da vida, ao receber, em troca de uma brincadeira qual quer, simples, o sorriso de uma criança, pleno. Nessas horas é que você realiza como vale o sorriso de uma criança. 

Só lhe confesso uma coisa, que percebi já em minha primeira visita ao Hemorio: tem uma hora que dói – e lá vamos nós, adultos, complicar novamente! É a hora de ir embora. Juntar os brinquedos, guardar tudo no colorido armário ornamentado com papel de presente, tirar o nariz de palhaço e colocar o jaleco do Sonhando Juntos na mochila. Essa é a parte mais chata da brincadeira. As crianças ficam tristes (e nós também), algumas choram, outras fazem birra para não comer o almoço. Elas não querem parar de brincar. Nem a gente.

A gente também não quer dar tchau.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Minha primeira atividade no Hemorio


Marcia Kabarite


Quando pensei em participar de um trabalho voluntario no Hemorio, passou pela minha cabeça que talvez eu ficasse muito "mal" em ficar tão próxima de crianças que estavam sofrendo e sentido dor. Fiquei na expectativa de como eu me sentiria e, quando comecei a interagir com elas, tentando me aproximar, percebi que tinham muito mais a me oferecer do que eu a elas.
 
Passei todo o tempo brincando com o Vitor, três anos, nove internações e ainda em tratamento. Vitinho aceitou todas as propostas feitas por mim, embora tenha sido monossilábico enquanto estivemos juntos.
 
Logo no início fiz um carinho nas costas dele e aquela carinha linda olhou pra mim com cara de poucos amigos, fazendo um sinal de “não” com o dedinho, indicando que eu não deveria tocá-lo. Mas passado um tempo que estávamos juntos, já estava batendo a sua mãozinha na minha, comemorando a brincadeira que inventamos com o UNO e batendo palminhas.

Coloriu um desenho; jogou UNO, do jeito dele, mas jogou; brincou com o tabuleiro de pano de futebol; se uniu a duas amiguinhas e brincou de pula-macaco; e, por fim, fez massinha.

Nesse momento a brincadeira foi interrompida, pois Vitinho precisava fazer um teste de alergia do medicamento que tinha que usar. Sua mãe, carinhosamente, o chamou e ele se aninhou no seu colo. Chegaram duas enfermeiras: uma segurou o seu bracinho e a outra aplicou o medicamento com seringa. Vitinho chorou e gritou!

Fiquei surpresa com a rapidez com que ele parou de chorar e voltou a brincar. Foi neste momento que passou pela minha cabeça: como pode uma criança tão pequena ter tanta força e superar tão rápido?
 
Acho que a resposta está na alegria genuína que somente existe no coração das crianças e na imensa e exemplar capacidade de renovação que elas possuem. Vitinho voltou a fazer massinha e quando avisaram que nosso tempo havia acabado, se despediu de mim com um beijo e um abraço!