segunda-feira, 27 de abril de 2015

A verdade é que esses pequenos nos ensinam muito mais do que o pouco que tentamos fazer por eles

Patrícia Lemos
Parece ironia falar que eles nos ensinam, já que nós que gastamos tempo na dedicação para dar alegria a essas crianças que ficam dias ou até semanas nos hospitais, passando por mil tratamentos complexos que nem imaginamos. Mas sim, é verdade que eles nos ensinam muitos mais, pode perguntar a qualquer voluntário que está há mais de um ano no projeto e veja o que ele vai te contar. Esses pequenos nos treinam principalmente a reclamarmos menos da vida. Esse péssimo hábito que temos de reclamar por coisas tão pequenas, não sei explicar direito, mas pouco a pouco vai diminuindo, como se fossemos tendo aulas práticas com eles, afinal você pode ter tudo, mas se não tem saúde, o tudo não vale nada.
E pode acreditar, embora estejam em meio a cateteres, soros e macas de hospitais, são crianças cheias de energia, são alegres e, lidam com a doença (por mais grave que seja) de uma forma normalmente mais leve do que pensamos.
Já vi gente com receio de participar do projeto por achar que será muito triste estar com crianças em estado terminal e principalmente com medo do apego que possa acontecer caso ocorra falecimento. A meu ver, não dá tempo de se apegar, afinal são 3 hospitais e como quem está em tratamento geralmente não passa meses internado até ter alta, então se um voluntário for uma manhã ou tarde de um sábado ou um domingo por mês, a probabilidade de encontrar novamente com a mesma criança é pequena.
Claro que nem todos os dias são tão animados e realmente algumas vezes há crianças que ficam mais quietas e outras sem vontade de brincar. Mas é ali que vem o desafio de reverter o desânimo e tentar de tudo arrancar um sorriso. E aí quando ela começa a se animar, se solta e abre um sorriso, ou quando um pai chega e te agradece por estar ali, você se anima junto e vê que dos ânimos e desânimos, o salto fica positivo.

Então, o que eu posso recomendar, é que se alguém tiver um pingo de vontade de ser voluntário, experimente por alguns meses e depois nos conte! E pode ir com a certeza de que você vai ajudá-los e vai aprender junto. J

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Saiba como ajudar o Sonhando Juntos


Você, que não tem tempo para ser voluntário, que tal ajudar a custear nossas atividades?

Você pode efetuar doações das seguintes formas: 

1. Contribuindo com R$ 50,00 mensais, durante 1 ano, clicando no botão abaixo:


2. Contribuindo com qualquer valor, uma única vez, clicando no botão abaixo:


Após concluir o pagamento, basta enviar o código do comprovante da doação para financeiro.sj.rj@sonharacordado.org.br, para que possamos contabilizar o valor para o Sonhando Juntos!

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Minha primeira atividade como voluntária

Raquel Oliveira

Desde que me inscrevi no Sonhando Juntos, passei a desejar muito a chegada deste dia. Junto a esse desejo, misturou-se a insegurança e receio de não ser aceita pelos pequenos. Mas ainda assim, a vontade de estar ali com eles crescia a cada dia.

Então chegou o grande dia, 09/08/2014, minha primeira atividade como voluntária do Sonhando Juntos.

Fui a primeira a chegar no Hemorio. Por morar distante, saí bem cedo para não me atrasar... Devido ao bom trânsito, acabei chegando com uma hora e meia de antecedência, e confesso que nunca vi a hora passar tão lentamente como nesta manhã de sábado.

Manhã chuvosa e fria, que se tornou uma das manhãs mais lindas vividas por mim.

Aos poucos os sonhadores foram chegando, e enfim chegou a hora de encontrar as crianças.

Não sei explicar a sensação que foi. Alegria, emoção, satisfação em fazer o bem, enfim, muitos sentimentos maravilhosos vividos em um só momento.

Aos poucos fui perdendo o medo. De leito em leito fui conhecendo cada criança. Cada olhar, cada sorriso, mesmo tímido, me davam ainda mais certeza que estava no lugar certo!

Na sala de recreação foi só diversão! O meu companheiro de brincadeira, o pequeno Mateus de doze anos, me encantou com seu jeitinho de ser.

Construímos casas e robôs de Lego.  Jogamos várias rodadas de UNO. Brincamos de jogo da memória. Conversamos sobre nossos cantores favoritos. No início achei que seria difícil arrancar um sorriso, mas só achei mesmo. 

Entrei ali com a missão de fazer o bem aos outros, mas o bem maior foram eles que fizeram a mim.
E ainda consigo ouvir a frase que marcou o meu primeiro encontro: “Não vejo a hora de sair daqui. Quero ir para a escola!”

Daí pensei: Tanta gente que pode ir e vir para onde quiser, ainda reclama da vida. Reclama de ter que acordar cedo para o trabalho, de ter que enfrentar o trânsito do dia-a-dia...

E o Mateus, como tantas outras crianças que se encontram na mesma situação, só queria não estar ali. E mesmo estando ali, não perde a alegria e pureza de uma doce criança.

Todos os rostinhos estão muito bem gravados em minha memória e coração, e lembrados em minhas orações.


E que venham os próximos encontros!

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Primeira visita



Anderson Santos

Bom... A semana que antecedeu a minha primeira visita, foi aquela de muita ansiedade, receios e expectativas!

Tive a primeira experiencia no dia 20/07 no HUPE.

Uma manhã super agradável e de uma experiência única na minha vida!

Mais ou menos, há 18 anos atrás... eu me encontrava na mesma situação que esses pequenos que encontrei nessa manhã!

Num leito de hospital, com uma doença que minha família nunca havia ouvido falar, e que me iria fazer ficar naquele hospital durante 16 dias internado, em tratamento!

E ao chegar no HUPE, ainda tinha receio da minha reação, tanto que conversei com pessoas do grupo que já tinham experiência, como seria e o que poderia encontrar ou o que fazer...

E ao entrar na sala, ao me deparar já com duas crianças sentadinhas e super ansiosas pela nossa chegada... desapareceu as duvidas e os receios e automaticamente lembrei da minha estadia num hospital quando criança... e imaginei que aqueles olhos, eram os mesmos que eu tinha quando criança, quando via a moça que ficava na sala de recreação, onde tinha livros, brinquedos e que infelizmente não era todos os dias!

Me joguei naquele momento, naquela manha com aqueles pequenos...

E percebi, que se não fosse o fato de estarmos num hospital, aquelas crianças sao como todas as outras... Ri com as respostas ótimas da Vitoria!

Do depoimento da pequena Vitoria Viana, que reclamava das visitas constantes dos médicos, e agradecendo o "tio" que acabara de conhecer, por estar ali brincando com ela.

A felicidade, de ver que o pequeno Bernado ter recebido alta!

É uma experiência incrível, que irei juntar a outras visitas... E que não tem preço!

Uma experiência de vida maravilhosa e encantadora!

É muito bom poder Sonhar Junto, com vocês!

terça-feira, 29 de julho de 2014

A primeira de muitas




Marcela Salgueiro



Um sábado de manhã chuvoso, mas com muito amor: foi o que aconteceu no Hemorio em 26/07/14. Foi a primeira vez que eu participei do Sonhando Juntos e com certeza será a primeira de muitas.

Estava com receio do que poderia encontrar, mas vi que o sorriso e a gratidão daquelas crianças nos fazem refletir muito mais sobre a vida do que podemos imaginar. Foi uma troca de alegria e emoção: a deles por ter alguém ali dedicando uma parte do seu dia e a nossa por vê-los felizes.

Aprendi com o Leandro que sou muito ruim em jogo da memória e quanto o sorriso de uma criança e uma pergunta de “Tia, você volta de tarde para brincarmos?” podem mudar completamente o seu dia.

Vi as meninas com penteados lindos e tão felizes se divertindo que não existia diferença entre doentes e saudáveis naquela sala.

No final da manhã o almoço chegou e tivemos que sair para deixar as crianças almoçarem. Dor no coração de ter que deixá-las... tinha passado tão rápido. Eis que vem o desabafo de uma mãe agradecendo muito a nossa presença, dizendo que o mundo precisava de mais pessoas assim, e que não deixássemos essa alegria de lado, mesmo que quando a gente voltasse tivessem outras crianças.

Voltei pra casa pensando como tinha sido muito boa e intensa minha manhã e com um ar de gratidão de poder ter tido a oportunidade de conhecer esses meninos.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Primeira atividade como sonhadora

Paula Pinho

Virei voluntária, e como amei virar.

Primeira atividade como sonhadora do Sonhando Juntos RJ, primeira equipe, primeiro hospital e 6 crianças.
Descrever o que senti é tão difícil, mas achei uma palavra: gratificante.

Uma reciprocidade tão pura, sincera. Eu dôo e recebo, simples.

Cheguei em casa exausta, me perguntando o porquê de tão cansada e entendi parte do propósito de tudo isso, parte de mim ficou lá, parte das minhas energias, do meu afeto, luz e carinho.

Hoje, nas 4 horas que destinei a ser voluntária, me doei por inteiro, sem restrição ou moderação. Doei meus sentidos, minha criatividade, meu amor e minha força pra quem precisa mais do que eu e anseia por isso. A força que essas crianças exalam faz um bem indescritível, e que me motiva a retribuir em dobro.

O corpo hoje dorme cansado, porém, a alma, leve e feliz!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Primeira atividade no Sonhando Juntos



Magna Domingues

Participei do Sonhando Juntos pela primeira vez no último sábado (05/07/2014). Foi uma tarde inesquecível, que eu desejo repetir muitas vezes.

Percebi que as crianças hospitalizadas oferecem para nós o mesmo sorriso e a mesma energia positiva de todas as crianças em qualquer circunstância. É uma vivência natural de trocas afetuosas, comuns ao universo dos pequenos.

Naquelas horas não existem saudáveis nem doentes. Existem adultos e crianças envolvidos numa atmosfera de carinho tão despretensiosa que só pode gerar alegria, paz e conforto para ambos.

Sinto-me imensamente recompensada pelas gargalhadas das Vivis, pela ansiedade inocente dos Wallaces, pelos sorrisos das Alines, pela gratidão dos Léos e pela pureza das respostas e perguntas de todas as crianças.

Vida longa ao Sonhando Juntos!

Gratidão infinita.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O Colorido



Aline Silvestre

O colorido pra mim é poder enxergar além das cores. É poder olhar para o horizonte e dizer que estamos aqui.

O colorido pra mim é alegria, sorriso e amor. É poder ouvir a palavra "Tia" de uma forma simples, completa e doce.

O colorido pra mim, é poder olhar nos olhos e dizer que naquele momento só existem cores. Que só existe o bom. Que só existe a vida mais colorida que podemos imaginar.

O colorido pra mim é saber como é bom poder estar aqui. Como é bom poder sentir. Como é bom fechar os olhos e agradecer, e colorir.

O Colorido é o meu domingo. E o meu domingo, é estar com vocês!!!

Obrigado Equipe Sonhadores!!!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Pequena heroína

Danielle Alves

Engraçado como clichês fazem tanto sentido, porque sim, as coisas mais simples da vida são o que realmente importam. Por que damos tanto valor a coisas ínfimas? Reclamamos de tudo nessa vida e não nos damos conta do quão abençoados somos por ter apenas uma palavrinha: saúde. 

 Somos adultos frustrados, muito complicados, cheios de responsabilidades, problemas emocionais e contas e mais contas a pagar. Sim isso também é verdade, mas e a tal da felicidade? Onde fica nisso tudo? Viu, já complicou.
Euzinha então, não fico por menos. Sou uma jovem estudante, cheia de horários malucos, provas e trabalhos pra fazer. Reclamava das coisinhas irritantes do dia-a-dia assim como você, até que passei a olhar pro lado, para aqueles que possuem problemas bem maiores que os meus e ainda assim sorriem. Sim, sorriem.

Hoje no Hemorio vivi algo diferente além dos finais de semana de brincadeiras e gargalhadas envolvidas por bolhas de sabão e narizes de palhaço. Fiquei em um andar diferente, com uma linda menininha de voz doce. Antes de nos encontrarmos, ela quis se preparar, passou batom rosinha nos lábios e uma sombra azul nos olhinhos. E a carequinha? Isso era o de menos. Brincamos a manhã toda, teve cara-a-cara, desenho, e bloquinhos pra empilhar, porém no meio disso tudo, a realidade chegou em forma de médico e agulhas e acabou com a nossa festinha.

Eu, gente grande, pensei “vou ficar aqui ao lado dela, fazendo palhaçada pra distraí-la”. Fui desnecessária. Nossa heroína lutou bravamente, não chorou, não esperneou, não fez careta. Vestiu sua capa invisível de pequena adulta e virou o rostinho calmamente pro lado, e sem reclamar deixou os médicos fazerem o seu trabalho. E eu? Literalmente amarelei quando vi aquelas quatro seringas gigantes, sangue e cateteres envolvidos. Pressão caiu 8/5, foi necessário um pacote de sal, um copo d’água e 5minutos pra tia ter forças pra voltar a brincar. 

Depois dessa cena, brincamos ainda mais, até que ela vira e mostra “Tia, olha as fotos que tirei com o Jesus Luz e a Carol Castro, agora quero uma com você!”. E eu indaguei: “Mas eu? Nem sou famosa”. E ela: “Problema não tia, você esteve comigo hoje, pra mim já ta bom”. Resultado? Muitas fotos divertidas e uma tia que virou sua fã :)



sexta-feira, 30 de maio de 2014

Procuram-se

Érika Pelegrino

Procuram-se arquitetos especializados em massinha;
Historiadores de faz de conta;
Veterinários de bichos de pelúcia;
Internacionalistas de war
Economistas de banco imobiliário;
Pintores de cola colorida;
Advogados de apertar bochechas;
Caçadores de sorrisos;
Professores de bolinha de sabão;
Bailarinas de fantoche e médicos de remédio doce...

Procuram-se acima de tudo pessoas com disposição de visitar crianças, e não crianças doentes, de olhar para o nome e para o singular de cada uma delas e não para o que as prende em um hospital, procura-se disposição para doar e multiplicar amor, mesmo que por algumas horas e em algumas visitas... Procuramos o melhor de cada um, que pode ser cultivado, mostrado e usado para resgatar o que há de mais belo em cada momento infantil que não pode ser escondido por catéteres e remédios... Será que eu achei a pessoa certa? Será que podemos sonhar juntos?